terça-feira, 10 de agosto de 2010

PSICANÁLISE E INFANS?

PSICANÁLISE E INFANS?


Rosely Gazire Melgaço
Psicanalista
Membro da Escola Freudiana de BH/iepsi
(31) 3224-0656


Anos atrás testemunhamos o esforço para considerar a eficácia da Psicanálise com crianças. Hoje em dia, ainda nos vemos às voltas com o estranhamento frente às transmissões de psicanalistas que trabalham no campo do infans – aquele que não fala -, e dos que estão em seu entorno.

Esse encontro com a criança, com o Infantil, pode se produzir maciçamente traumático, seja para os pais, seja para profissionais que com eles atuam. Há sempre um efeito de sideração no encontro com o Real.

Freud reconhece que, certamente, o ato do nascimento imprime uma marca, mas questiona a generalização desse ato como um trauma. A isso Lacan contribui quando diz que “de trauma, não há outro: o homem nasce mal-entendido”. 1

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Há declínio da feminilidade ?

Ida Amaral Brant Machado¹

Após o percurso no texto freudiano sobre a feminilidade, onde ela é apresentada como um “vir a ser e não como um ser” o caminho do “tornar-se mulher” é tortuoso e muitas vezes não alcançado, levando em consideração as três saídas propostas por Freud.

Durante um dos seminários lembrei de um texto que tinha lido, “O Dragão e o Santo” de Ana Portugal, onde a autora , partindo de um texto de Freud, de 1913, “A disposição neurose obsessiva –Uma contribuição ao problema da escolha da neurose”, relata essa passagem do “dragão” para o santo- sainthomme,sinthoma. Freud,no seu artigo traz algumas hipóteses que depois são abandonadas(ex. experiências sexuais passivas na primeira infância predispunham à histeria e as ativas à neurose obsessiva), mas defende a idéia de uma organização sexual pré-genital anal-sádica que algumas mulheres regridem quando “liquidam sua função genital”. A escolha da neurose tem caráter de disposições, são independentes de experiências que operam patogenicamente( a escolha não depende da experiência, a escolha da neurose não está fora do sujeito).Freud , em 1913 fala desses traços anais sádicos que aparecem com o declínio da feminilidade, a jovem esposa e amante que se transforma em um velho dragão, como uma regressão da vida sexual ao estagio pré-genital sádico-anal-erótico.

A passagem adolescente: do familiar ao social

Thereza Christina Bruzzi Curi
Psicanalista
Membro da Escola Freudiana de BH/iepsi
therezabruzzi@uol.com.br"




Em uma jornada sobre a afetividade, não é demais lembrar que o sujeito humano é dividido, desde sua entrada no mundo, pelas pulsões de Amor e Ódio, sendo que nenhuma dessas pulsões é menos essencial que a outra: elas se amalgamam de tal forma que às vezes é difícil as distinguir. Raramente, nossas ações são obra de somente uma delas e ambas estão em ação em todo homem.

Assim, do ponto de vista da estrutura do ser humano, há um tensionamento desde sempre entre essas duas pulsões.

A adolescência tal como a conhecemos hoje, com lugar de idade favorita, não existiu sempre. Ela surge como um fenômeno da contemporaneidade: época em que a civilização ocidental produziu efeitos universalizantes e cosmopolitas no modo de vida de seus centros urbanos, em detrimento dos laços comunitários e tradicionais que uniam cada grupo social às suas origens históricas e culturais específicas. A contemporaneidade vem quebrar as certezas culturais e historicamente transmitidas.

A psicanálise interessa-se pela adolescência enquanto uma questão que apresenta vetores históricos, culturais e econômicos; levando a pensá-la como o produto de uma época. No entanto, para além desses vetores,é mister levar em conta a relação do sujeito com o que causa mal-estar na sexualidade durante a adolescência. Cada sujeito precisa encontrar respostas próprias para fazer sua passagem por esse momento que denuncia, uma vez mais, a impossibilidade estrutural do encontro com o real do sexo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Trama e o Nó

Ana Lúcia Bahia ¹


PALAVRAS                           -                       CHAVE MOTS-CLÉS


SUMÁRIO                              -                      SOMMAIRE

Palavras chave: symptom, real, positions in front of real.

Sumary: This text brings three forms of positions that can be taken by someone in front of the real. One text talks about a poet and how he gives up in life, another one is a clinic fragment and the last is a poem that shows another form of position in front of the real bringing the art.


Sabemos que o sinthome por excelência é a forma de enodamento que o sujeito faz diante da falha paterna, e penso que a tessitura de um texto aponta para esse lugar, pois o que fazemos diante do real que a clínica nos apresenta, via sintoma do sujeito, senão tecer por meio da escrita essa tentativa de escrever um saber no real?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cinema no Divã

Aqui em formato PDF. Clique no link abaixo para abrir.

Cinema no Divã

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Incidências do real em Reunião de Família

Yolanda Mourão Meira
Psicanalista
Membro da Escola Freudiana de BH/iepsi




Pretendo articular as incidências do real na família com o livro de Lya Luft Reunião de família que, apesar de ficção, vou tomar como uma mostração, um fragmento clínico, buscando verificar como se apresenta o real naquela família.

Para pensarmos a família temos elementos imaginários – por exemplo, os mitos e as histórias que caracterizam a família –, elementos simbólicos – relativos a lugares, funções –; e elementos reais –ligados ao gozo, ao que não se representa na linguagem e circula pela família.

Em Reunião de família o que deveria ser um encontro “normal” de família num fim de semana na verdade vai apresentar toda a desarticulação, a solidão de cada um de seus membros, indicando como os encontros são faltosos e carregados de mal-estar. Algo acontece quando os membros da família estão juntos. Há uma pressão do coletivo que vai possibilitar que, de um a um, coloquem às claras tudo que foi arduamente escondido. Como se dá a interseção entre o coletivo da família e os distintos sujeitos?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A clínica do caso por caso e as estruturas clínicas

Aloysio Bello
Psicanalista
Membro da Escola Feudiana de BH/iepsi
aloysiobello@uol.com.br
(31) 9636-1637

Sumário: A clínica do caso por caso é oposta às estruturas clínicas?

Sommaire: La clinique du cas à cas est-elle-opposée aux structures cliniques?

Unitermos: Caso por caso, estrutura clínica

Unitermes: Cas à cas, structure clinique

Muitos psicanalistas rechaçam, na atualidade, a aplicação do conceito de “estrutura clínica” na psicanálise. Isso acontece especialmente em um campo, o dos seguidores das concepções de Jacques Lacan que se referem a um último Lacan. Isso resulta paradoxal, já que se poderia dizer que “estrutura clínica” pertenceria ao conjunto de conceitos fundamentais introduzidos na psicanálise pelo ensino de Lacan, pelo menos
segundo o critério de muitos psicanalistas. Isso significa que são alguns “psicanalistas, lacanianos” os que com mais decisão rechaçam o que pode ser considerado por outros como um conceito fundamental no ensino de Lacan.
“Em 1948, aconselhado por Leuba, fui ver os sete sábios da Sociedade Psicanalítica de Paris. Foram muito gentis e quiseram saber quem eu era: masoquista, histérico, obsessivo? Com Lacan, encontrei alguém que não se interessava por quem eu era, mas pelo que eu dizia. Isso logo me pareceu bem mais interessante”. (Jean Clavreul em entrevista a Moustapha Safouan, Trabalhando com Lacan, organizadores Alain Didier-Weill e Moustapha Safouan, Zahar,2009, Rio).